:: Sempre nao ::

Não sei se foi sempre assim... ou se calhar, caí... hoje
:: welcome to Sempre nao :: bloghome | Come to Me ::
[::..Caixinha..::]
[::..Outros Mundos..::]
:: Buried Child [>]
:: Sem Querer Penso [>]
:: Fuqd up in the Head[>]
:: Luzes Azuis[>]
:: Eclipsada[>]
:: Intensidez[>]
:: Cantinho Escuro[>]
:: Pandora[>]
:: Scriptum Tremens[>]
:: Segredos[>]

Comments: :: Segunda-feira, Maio 24, 2004 ::

Se o amor é vão

Tu sabes o quanto eu costumava rir-me para ti.
Quando me sopravas na barriga e eu me ria sem ter cócegas.
Lá fora corria toda uma vida.
Havia um rapaz a ressacar, que pedia perto dos sinais.
Pedia dinheiro para lhe devolver a expressão e a cor da cara e a focagem da vista.
Pedia de mansinho, mas num desespero trémulo que lhe denunciava o prazer por que tanto ansiava.
O prazer que antes fora e que, agora, era só consolo por obrigação.
Passávamos e já sabíamos que ele ali estava.
Tu encolhias-te num arrepio e com um sorriso de segredo compartilhado que o medo matava em mim.
Agarravas-me a mão e lá o deixávamos até ao dia seguinte.
Tínhamos uma vida à nossa espera, importante demais para ficar a olhar para ele.
Qual não foi o meu espanto quando hoje, na casa abandonada onde se passam as nossas tardes, o vi à minha frente, a pedir-me a seringa que eu acabava de usar.
Veio-me logo à cabeça o episódio do antigamente.
Sorri-lhe e estiquei-lhe o que me pediu que, mais do que queria, necessitava.
Ele não me reconheceu e não olhou mais para mim de tão apressado que estava.
Eu, chorei a sorrir, enternecida pela beleza do tempo e da vida que nos tinha deixado um dia.
Deitei-me sobre o teu corpo e desejei que um dia me pudesses voltar a fazer cócegas.


:: A. RITA 12:29 AM [+] ::
...

Comments: :: Domingo, Maio 23, 2004 ::

Achar o sentido das coisas.
O porquê e o para quê e até imaginar e se não há um para onde.
Tentar esquecer a inutilidade.
A nossa para o mundo e a do mundo para nós.
Fazer com que chegue o saber que há que acordar para o nada diário.
Uns dias, transpiro segurança e não deixo nem uma gota cá dentro.
Forma-se uma poça à minha volta que me protege.
Mas a pele já não a absorve.

Alguns dias houve que me fosse perdendo por sonhos bonitos e segundos inesquecíveis.
Mas de resto, nada faz sentido.


:: A. RITA 1:07 PM [+] ::
...

Comments: :: Sábado, Maio 22, 2004 ::

Temos que encontrar o para quê e o porquê do nosso para onde

Carlos Abrunhosa


:: A. RITA 12:25 AM [+] ::
...

Comments: :: Terça-feira, Maio 04, 2004 ::

De repente sai do túnel um furacão
É um vento horrível e cinzento que nos destroi as ideias.
Lança-se sobre o carro e despe-nos de mentiras.
Agora, estamos todos a olhar para a janela
A rezar para que não olhem para nós.


:: A. RITA 11:46 AM [+] ::
...

Comments: :: Segunda-feira, Maio 03, 2004 ::

Tardes que não podem ser cedo

Tarde é quando se chega já depois da hora.
Quando a loja fechou há 2 minutos. Quando a senhora do café diz que já não serve. Quando já temos falta. Quando nos apontam ameaçadoramente um relógio autoritário. Quando o café arrefece. Quando o lugar já está ocupado. Quando o condutor adianta o seu tempo.

Quando, por um segundo, te perco para sempre no tempo.


:: A. RITA 7:51 PM [+] ::
...

Comments:

Um dia vais passar

Pensas que és só tu que eu vou enrolando sem cessar como a um novelo de lã, cobiçado por qualquer gato como o Flint, que olha para mim?
Sabes, já não existes tão sólido.
Estamos ambos mais gastos e desbotados.
Nós é que nos enrolamos como a novelos, como a um cigarro, daqueles que nem sempre fumamos.
Que ficam esquecidos num cinzeiro, à espera.
Sempre à espera que alguém os salve da triste cinza que inevitavelmente os consumirá.
Depois, ficam para sempre amarrotados, num cinzeiro frio.
Só serviram para dar prazer e matar um pouco de alguém.
Assim somos nós.
Vamos, quase sem querer, matando, esfumaçando, consumindo para nós a vida de alguém.


:: A. RITA 7:50 PM [+] ::
...

Comments:

Pára de olhar para trás

Deixa que o tempo leve o pouco que ainda haja para levar.
Não fiques ao sol a morrer na manhã.
Não te afogues em histórias que fazes por inventar,
para tentar evitar que a vida de verdade te apareça à frente.

Não posso esperar pelos abraços eternos.
Nem sequer espero pelo que nunca há-de vir.
Prefiro e tenho preferido, ver-te para mim como nunca foste.
Mas tu não deixas e apagas-te.
Porque não queres ser para mim.
E porque eu tento sempre apagar as velas com as mãos molhadas ainda.



:: A. RITA 2:12 AM [+] ::
...

This page is powered by Blogger. Isn't yours?