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Não sei se foi sempre assim... ou se calhar, caí... hoje
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Comments: :: Terça-feira, Abril 27, 2004 ::

Anestesia

Ontem tudo parecia calmo e acolhedor.
À nossa volta sussurravam-se sorrisos elegantes e trocavam-se confissões com sabor a champanhe.
Era uma pequena sala amarela e quase vazia de decoração.
Meio cheia de pessoas. Meio cheias de sonhos, frustrações, medos, alegrias e sorrisos que pareciam cobrir quase tudo o resto.
Dançava-se. E as cortinas mal fechadas mostravam uma noite quente e doce.
Formaram-se círculos e as recordações, histórias e lembranças de dias há muito passados, flutuaram por todo o compartimento.
O tempo foi-se encolhendo entre um e outro copo, uma gargalhada, jogos e olhares prometedores.
Pegaste-me no braço e fomos dançar como perfeitos apaixonados.
Abracei-te e dei-te um beijo cheio do que ali jurei sentir.
Saí da sala. Da casa.
Fui até à beira da estrada que ali passava perto.
Vi uns faróis.
Dei mais um passo, fechei os olhos e esperei.
Quando voltei a sentir já era hoje.


:: A. RITA 1:06 PM [+] ::
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Fogo de Artifício

Vários clarões de luz vão explodindo na nossa pequena caixa.
O passo vai-se apressando e morre gelado em frente do espelho que olha subitamente.
É apenas uma desculpa para não parar.
Para não estancar perante todo o frio verde que escorre do cabelo aos pés e que nunca nos larga.
Fecha-se a mão e empurra-se lá para o fundo.
Para que fique completamente deglutido e desfeito num não-sítio sem retorno.
Depois, é deitar de costas e olhar para o céu cheio de cores e de luz.
Porque hoje é dia da liberdade e todo queremos ser livres.

25-04-04


:: A. RITA 1:05 PM [+] ::
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Comments: :: Quinta-feira, Abril 15, 2004 ::

"Acho que estou a começar a gostar disto"
Quando fico ou me sinto não-feliz se calhar é com medo de perder algo.
Perder o que tenho, o que sou.
Tenho medo que tudo mude e que deixe de ter os pés no chão.
Já não me apetece estragar tudo ou escolher aquela outra vida de que um dia falámos.
Juventude, fotografias, vitalidade, tempo.
Amor.
Sorrir. Chorar.
Tudo o que não quero perder.
Nem um dia pensar que nunca tive. Esquecer.
O medo do futuro consegue quebrar a tranquilidade do presente.
Esta horrível certeza da efemeridade de tudo.
Não me apetece dormir.
Nem deixar passar esta sensação que não consigo escrever, mas que é boa.
Se apenas pensar na relatividade das coisas ou nelas em pequenas partes, sinto-me bem.
Se calhar tudo isto é esta noite.
Só.
Porque tudo tem tendência a misturar-se com a vontade de saber o que se passa.
E acaba por não sair verdade nenhuma.

Medo de viver?
Até as marcas de sangue parecem existir só para impedir a evanescência.



:: A. RITA 12:06 AM [+] ::
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