Sempre nao

:: Sempre nao ::

Não sei se foi sempre assim... ou se calhar, caí... hoje
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Comments: :: Quarta-feira, Março 31, 2004 ::

À noite apetece-me chorar.
Chorar e sorrir ao mesmo tempo.
Com um olhar sabedor que bem conhece o peso do tempo e sorri para a melancolia.
Um olhar que não é meu.
Das mais bonitas imagens que guardo é essa do choro acabando num sorriso.
Lágrima atrás de lágrima que acaba por prolongar um sorriso triste, que pede um abraço.
Finjo sorriso de sabedora mas nunca sei nada e é disso que me rio agora.
Sei lá porquê, vem-me agora à cabeça a imagem de amigos, colegas, passados, promessas ¿para sempre¿, que o tempo ou eu mesma apaguei.
Agarram-me sonhos e viagens loucas, mãos a tremer de uma ansiedade infantil.
Mas o que mais costumo lembrar, é um ¿tu¿ que nunca conheci e que faço crescer da mistura dos que conheço.
É para ele e com ele que invento mil desilusões e felicidades.
Porque afinal, todas as luas e poemas que julguei sentir em mim, vinham de ti, que por não existires, senão para mim, não me podes deixar.
E por ti esperarei sempre, apaixonada como pelas coisas boas da vida.
Deixo-te eu, certas vezes que busco materializar-te, para te poder olhar nos olhos ¿ que disso sinto muita falta.
Mas acaba rápido e logo começo a pensar em ti como não existência que és.
Porque o que deixo na vida real nunca és tu, nunca mais és tu...
Por isso lhe tapo os olhos, porque queria olhar para ti.
E depois tudo recomeça. Da mistura de tudo sais sempre tu.
Mas já não posso ir misturando muito porque me faz mal à cabeça e querer chorar de noite.
Existe lá.
(Vá lá, ninguém pode viver sem se conseguir apaixonar.)

28-03-04


:: A. RITA 10:49 PM [+] ::
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Escrever em caixinhas de vazio, dobrar em quatro o papelinho e esperar pelo desejo que leva a imaginação.
Esperando alguém ou um segredo num banco de jardim de costas para a neblina.
Sentir o nevoeiro pousar nos ombros, e o teu cheiro.
O teu cheiro que torna o passado irreal e rasga todo o sentido do futuro.
Inspiro-te, fecho os olhos e sonho.
Se percorrer cada recanto e cada traço de luz e escuridão que escreveste, até consigo sorrir-me.
E é o que faço.
Vou redesenhar-te e depois dou-te voz e respiração.
Ou deixo-te apenas na mesinha de cabeceira a olhar para mim. Com ternura.
Por agora, casaco ao ombro, mala, escola.
Um adeus, um sorriso.
Quero-te assim.

2-3-04


:: A. RITA 10:47 PM [+] ::
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Comments:

Não sei se ficou tudo por dizer.
Todos os metais que nos vão rodeando e suspirando um eco do que se esconde nas paredes.
E é bonito ser um não-ser quando se quer sê-lo.
Sem saber por que parte torcer, o que escolher.
Se é enfrentar os medos ou provar o que de mim não sei, a alguém.
Se é a luz que não espera por mim ou a memória que proíbe o permanecer.
Se sou ou não assim.
Se me sobressalto à multidão que quero esquecer, não ser.
Acreditar que ainda há algo que não me submeta à revolta que sussurra, implora num chorinho que não possa ser assim, porque não quero e porque não sou.
E é porque não choro que me impeço de dormir.
Porque não sei ser, prefiro não ver, mostrar não sentir, viver e sorrir, ir.
Mas ser.

14-02-04


:: A. RITA 10:46 PM [+] ::
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Comments:

Acho que se esqueceram da minha caixa de fósforos.
Assim não pode humedecer nem cheirar mal.
Também não pode acender e aquecer-me por dentro.
Não sei se conheço os meus detonadores, mas sei que não vou morrer de amor.
Também não hei-de tecer uma colcha infindável para me tapar com ela, não hei-de esperar que todas as aves voem, não hei-de sentir que foi tempo demais.
Sempre que estiver escuro acendo a luz e espero que venhas ter comigo.
Ou chamo-te.

19-01-04


:: A. RITA 10:46 PM [+] ::
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Comments: :: Domingo, Março 28, 2004 ::

Tenho uma vela a arder cá dentro.
Uma vela. Não um daqueles fósforos mágicos que só nos fazem bem.
Uma vela, de chama alta, que me está a queimar até à garganta.
A cera está a escorregar e a queimar todo o meu corpo.
E eu estou à espera que se acabe o pavio.
Derreto eu também a olhar para o mundo.
A sufocar, de boca fechada porque não quero deixar o fumo sair.
Quero aproveitar tudo e até ao fim, sozinha.
Até que as paredes comecem a escorrer para cima de mim.
Ou até elouquecer com o fumo que não deixo fugir.
Já que não estou cá.
Que nunca sou para niguém.
Entao, agora enforco-me a mim mesma e mando à merda o tempo.
Já que ele me mandou a mim.
Mas, tu não és o tempo e nem és niguém.
Consegues assim ser demais e não me deixar dormir.
Perdoa-me...
Por achar que desta vez não sou má.


:: A. RITA 3:41 AM [+] ::
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Comments:

Um dia já esquecido
Um amontoado de certezas deixadas por cima da mesa
O acaso que nos roubou um tempo que nunca foi nosso.

23-03-04


:: A. RITA 2:04 AM [+] ::
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Comments: :: Segunda-feira, Março 01, 2004 ::

Porque é que afinal estou sempre errada?
Tudo se desvanece à minha volta ou chove em cima de mim.
Estou farta de vivier para a vida, para as pessoas, para mim.
Não consigo estar onde não compreendo nem sequer discutir o que não me parece real.
De repente estou cansada de todo o mesmo. o Mesmo de tudo e de sempre.
Não sei.
Mas também estou farta de dramas.
Dos meus e do resto.
Podia deixar de pensar.
Não sei sequer porque estou a por isto aqui em jeito de confissão.
Eu não sou isto. E deixou de fazer sentido.
Só queria estar bem com o mundo.
Se calhar tenho que admitir que é ele que está bem assim.
Quero ser menos pensante e mais tranquila.
Vou.


:: A. RITA 11:29 PM [+] ::
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