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:: Quarta-feira, Outubro 29, 2003 ::
- Sim, no meu mundo, onde tenho estado o tempo todo...
E de onde, pelos vistos, já nem tu me queres tirar...
Pois, era chato...
:: A. RITA 10:06 AM [+] ::
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Não sei se sentes o que eu sinto, é provável que não, mas que á tua maneira, me sintas contigo.
Algumas noites tenho estado contigo. Sentes o meu corpo a respirar ao pé de ti?
Abraço-te muito devagarinho e sinto o teu calor.
Durante esses minutos, habituei-me a estar de olhos fechados, talvez para acreditar que também estás a pensar em mim, que me sentes em volta do teu corpo.
E há momentos, pequenos momentos, em que pareço sentir-te apertar-me. Ou sou só eu a desejar que o teu corpo me peça para ficar.
Mas quando acordas, já me fui embora.
Vim só ver-te sonhar.
Sentir-te eterno no meu cheiro.
28-10-03
:: A. RITA 10:03 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Outubro 28, 2003 ::
Fim
Neste infinito fim que nos alcançou
Guardo uma lágrima vinda do fundo
Guardo um sorriso virado pro mundo
Guardo um sonho que nunca chegou
Na minha casa de paredes caídas
Penduro espelhos cor de prata
Guardo reflexos do canto que mata
Guardo uma arca de rimas perdidas
Na praia deserta, dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que conheci
No mundo onde tudo parece estar certo
Guardo os defeitos que me atam ao chão
Guardo muralhas feitas de cartão
Guardo um olhar que parecia tão perto
Pró país do esquecer o nunca nascido
Levo a espada e a armadura de ferro
Levo o escudo e o cavalo negro
Levo-te a ti
Levo-te a ti
Levo-te a ti
Levo-te a ti pra sempre comigo
Na praia deserta, dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que nunca perdi
Toranja
:: A. RITA 3:09 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Outubro 27, 2003 ::
Pinto toda uma paisagem à minha volta. Um futuro, um passado, uma mentira. Seja o que for, apresenta-se nítido, quase posso tocar-lhe.
Num escuro que começa a ser devorado por um quase sol, surgem os primeiros vestígios de mais um recomeçar. Podia esperar infinitamente e tudo seria assim, calmo e ténue como hoje, acabando apenas pra mim, numa noite, como esta.
Pudesse uma vida recomeçar tão facilmente, apoiando-se apenas no tempo e em algumas horas de lua.
Seríamos todos peixes. De certeza peixes felizes, sem passado nem vislumbre de futuro. Movendo-nos só no presente. E, sendo insatisfatório, desaparecia no mesmo instante, seguindo-se de imediato de outros tantos.Recomeçaria cada minuto como um novo, cada segundo uma nova vida, com toda a liberdade para as maiores incoerências sem o peso da consequência intelectual. Tudo, claro, em apenas um segundo!
Imagino-me então com um segundo de memória.Não imagino pois ão tive tempo.
Seria isto bom? O eterno recomeçar. O recomeçar sempre do nada. do vazio. O recomeçar sem começo! O tempo não poderia existir.
E por tudo isto, limito-me a uma única história:
- Os dias não recomeçam, passam.
20-10-03
:: A. RITA 12:35 PM [+] ::
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Tento guardar, imutável, tudo cá dentro. Tento manter-me imoldavel enquanto espero que tudo o resto, cá fora, passe. mas ao agarrar-me de um lado, solto-me do outro e elevo demais o escudo onde não precisava de pedra. Perdi o gosto do toque e do abraço e esqueci-me das lágrimas de ontem... Embruteci e gelei, e quando descongelo, na noite, choro por não saber chorar, por não conseguir tocar. Por estar sozinha entre as paredes, por me perder em tudo o que não consigo dizer. E queria ser boa, sem embalsamar o amor. E ter um sorriso para dar. Um sorriso por um abraço, ou só por mim. quero distribuir abraços e não sou capaz.
17-10-03
:: A. RITA 12:26 PM [+] ::
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Queria dizer-te um montão de coisas, com medo de me enganar, acabei por não dizer nada.
Queria perder contigo noites a ler as estrelas, a pintar fotografias e a escrever o inexplicavel. Mas também não te vou dizer isso.
Posso ter o teu cheiro na minha saia e na camisola, mas no meu corpo, não há um pingo que seja teu.
Estás assim, por dentro e por fora de mim, mas não em mim.
Penso em ti, quero-te aqui, mas não te quero pra mim.
E não te queria fazer chorar.
5-10-03
:: A. RITA 12:21 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Outubro 20, 2003 ::
...e todos os dias tenho esperado aqui... o mau, é ser a única a fazê-lo...
:: A. RITA 11:55 AM [+] ::
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:: Sábado, Outubro 18, 2003 ::
E quando acordei lá estavas tu, estática e a sorrir. Fiz-te uma festa e deixaste cair uma lágrima, sempre a sorrir. Parti o espelho e limpei-me de ti.
:: A. RITA 4:50 PM [+] ::
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Sabes o que acho?
Acho que há alturas em que podemos escolher continuar, sofrer e continuar simplesmente, andando pla vida. Ou escolher subir, sorrir e não dar demasiada importância ao que não podemos modificar, é assim o que tem de ser. Eu já escolhi.
09-09-03
:: A. RITA 4:50 PM [+] ::
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E porque nem tudo são não's, temos que perceber, aproveitar e sobretudo acreditar nos sim's. Porque ainda existem dias felizes. O resto, é só por não haver nada que fazer.
1-09-03
:: A. RITA 4:50 PM [+] ::
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Sabes, não percebo o que tem andado a acontecer. Estou separada do que me dizem ou fazem. Do que eu digo ou faço. Estou longe das palavras e sobretudo das letras. Sinto a falta de escorrer para o papel ou para qualquer outro sitio. Perco-me no branco das paredes e não acordo mesmo sem estar a dormir.
Deves achar que passo o tempo em filmes que guardo para mim. A verdade é que não sei onde ando, sei que não é aqui.
Correm à minha volta noites vazias, pegadas às estrelas, e olha, algumas pegadas ao despertador. Chateiam-me tantas linhas em branco e tantas outras ocupadas por palavras de alguém. Se soubesses como tem sido estranha esta sensação de vazio, de falta de alguma coisa, de falta de reacção. Não consigo estar aqui. Tenho passado imenso tempo a dormir acordada e sabe bem ter tempo para isso. Só que o tempo para isso está a tornar-se infindavel e eu já não sei quando deve acabar, quando tinha que acabar. Perco-me nele.
:: A. RITA 4:49 PM [+] ::
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Vou adormecendo por dias sem fim...
Corro o cortinado, mas já tenho os olhos fechados.
Espero por um qualquer carinho ou por mais um dia que passe.
Não quero sair
Não quero sair
Saio.
Pessoas, luzes, movimento, muito movimento.
Muito barulho, muito movimento.
Quero enroscar-me na minha cama para sempre.
Abraçar o ursinho que não tenho...
E depois, dormir.
:: A. RITA 4:49 PM [+] ::
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No escuro choro a vida que escorre em linha por cima de mim...
Tropeço pela vida, chorando a linha que escurece aqui...
Alinho o choro. Seco a vida. Escureço sem mim.
:: A. RITA 4:48 PM [+] ::
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Vou deixar-te, não te deixo beber nem mais um gole de mim. Roubas-me o futuro a cada noite que perco perdida em ti. senão deixar-me-ás tu, mas eu n voltarei. Afogas-me em tontos passos de dança, alimentas-me as falsas gargalhadas, não posso deixar-te levar-me, não agora, não para já.
Descompassas todas as incertezas e propagas a alegre parvoíce. Ridicularizas os mais inabalaveis e elevas os fracos. Mas hás-de enganá-los a todos, deixar-nos a todos, quando já não pudermos deixar-te.
E por isso, deixo-te já.
Não me levas contigo tão cedo.
21-08-03
:: A. RITA 4:48 PM [+] ::
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O que acontece é que quando voltamos a nós, não há aquele suspiro, aquela certeza de estar tudo bem....
Aparece antes um sorriso estúpido que não sabemos para que serve e que no espelho se desenha despropositado num corpo demente, trémulo.
Agarrar a fútil existência, ou insinuar ao vento que podemos entreter a melancolia?
Então, corres pelos dias, desafias a gravidade, entrelaças-te no óbvio tão frequente e bebes mais uma Pepsi aos olhos do mundo preponderante.
Queres ser um tu que morre entre as certezas de outros, vomitando inutilidades que caem sempre na quase alegria.
Mas á noite, tens que ser tu. Pedes um silêncio que não vem e prefere poisar no outro lado da noite.
Assaltam-te des-verdades e incertezas e regulas o umbral do tempo para que não durmas mais.
Não encontras o que te havia sido imposto, não sabes do conjunto de pré-feitos a que te submetes dias a fio. Baralhas a razão com o não-ser e cospes ao vento o inevitável torpor corporal.
Depois, vês tudo, já compreendes o sentido e desejas afinal fechar os olhos. Foste tu e achaste, agora não sai de ti e transportar-te-á para a beira do mundo.
14-08-03
:: A. RITA 4:48 PM [+] ::
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Passou discreta, desapontada. Perfurou em gargalhadas o recheio do quarto verde. Fitou-nos sem rodeios e esbateu-se nos cortinados e nos cinzeiros...
Deixou beatas de ondas e outros venenos e procurou a incerteza.
Romperam-se as asperezas do pudor e liga-se o rádio para não ouvir os gritos sussurrados com fervor.
E ele, debruçando-se sobre toda a sua experiência, e depois de assoar o nariz, repetiu:
- Então conte-me lá, a menina julga conhecer as estrelas?
13-8-03
:: A. RITA 4:47 PM [+] ::
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A pintura está espalhada na tela. As imagens, os sons, os cheiros, misturam-se, aparecem e sobressaltam-se. Rebolam lentamente pelo precipício do esquecimento, fechando a porta do passado, trancado perante o abismo dos próprios sonhos. O medo da saudade e a ausência no futuro assaltam-nos de olhos fechados enquanto nos apercebemos, inertes, de tudo o que se passou e ainda, que passou. Como tantos outros tudos, atropelados à sombra do que a seguir acontece.
O que-podia-ter-sido enche e preenche todo o espaço que me abraça. O que-foi magoa-me e não me permite mais sonhar. Adormeço sobre a almofada e sobre mais uma das semanas encantadas.
Vamos cheirando a ria mais uma vez....
E come-se o último ovo mole...
Acabou.
31-07-03
:: A. RITA 4:47 PM [+] ::
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O que quero dizer vem rápido e demasiadamente amontoado, acabando por cair inevitavelmente em já-não-palavras. Quero sentir-te como sempre senti. Quero o teu cheiro todo para mim, misturado no meu. Fungar e fungar até não te deixar nem uma gota. Mas quero que vás, deixa de olhar para mim e vai-te, leva tudo. Todas as lembranças, recordações, todos os lugares, todas as gotas de tempo que deixaste cair em mim. Leva tudo, deixa-me só a mim, permite-me voltar às minhas convicções, às minhas ideias... A mim, como dantes era.
Afogar-te-ei...
Agora vai.
21-07-03
:: A. RITA 4:46 PM [+] ::
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Wednesday, Jul. 09, 2003 - 1:01 a.m.
Este imponente verde que se empoleira à minha volta... maravilhoso... desperta em mim algo selvagem.
De dentro de um longo ¿ahhh...¿ de admiração, ponho-me em pé de um salto!! Estou Alerta!!! Mergulho para depois desatar numa correria desenfreada para o fim, para o fundo do mundo! Subo, desço, salto, rastejo... observo, escuto, grito, GRITOO! E arranco um sorriso de dentro de mim. Deito-me em frente ao sol e espero... Lentamente, os bichos e folhas começam a cobrir todo o meu corpo. Esgravatam, mordem, beliscam... e vão devorando todo o meu ser...
Splatshhhhhhhh....
-Rita, agarra o remo como deve ser!
-Sim, mãe...
05-07-03
:: A. RITA 4:46 PM [+] ::
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E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende.
Bernardo Soares
:: A. RITA 4:45 PM [+] ::
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Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos á força de as apertarmos
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Ás vezes tu dizias: os teus olhos são como peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
:: A. RITA 4:45 PM [+] ::
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Não foi preciso abrir os olhos para sentir que algo me entrava pelo nariz. Alguém me apertava a mão, chegava a doer. Abri os olhos para um tecto branco sujo com luzes brancas, pareciam manchas cuspidas, desfocavam, brilhavam.
Quis levar a mão aos olhos e ao nariz atrofiado mas depressa percebi que os musculos não obedeciam tão rapidamente, ia precisar de mais tempo.
Sob um qualquer pretexto, largaram-me a mão.
Tentei de novo mover-me e tive a horrível sensação de estar amarrada.
- há mesmo muito tempo escrito -
:: A. RITA 4:44 PM [+] ::
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Montanhas azuis sob uma lua amarela. Um cenário escuro no negro da noite. E luzinhas. Muitas luzinhas brilhantes que olham para mim lá de cima.
um e outro cogumelo agitam-se no meu cérebro já vazio de imagens. Afastam-se os neurónios, pois que comece a dança.
Deus me livre de profanar o teu templo, tão perfeito, tao sereno, tão bonito.
Algumas pepitas tentam juntar-se mas o silêncio não deixa. As estrelas decerto aplaudiriam essa torrente de música. Mas não há luz, é impossível ver alguma coisa aqui.
Deste-me a pena e o papel mas eu não sei o que fazer com eles, longe de mim querer algum dia substituir-te, o que pretendo é simplesmente aprender contigo. Deve ser bom ser-se desejado pelo que se é em vez de pelo que se parece ser.
O chão, o frio, a terra molhada atacam o meu corpo ao deixar-me cair ao vento. De olhos bem fechados e mente muito aberta estou á vossa espera. Sentimentos, imagens, lógica. Tudo o que vier á rede é peixe. Mas porque não chegam? Não agora. Não esta noite.
Ajuda-me a entender, a compreender o sentido das tuas palavras, para poder entrar no teu mundo, sentir o que tu pensas, ouvir o que tu choras.
Luzinhas, luzinhas e mais luzinhas. Sim venham até mim. Entrem em mim. Vivam em mim estrelas carentes de música. Oh já começo a avistá-las. Estarão a tentar passar pela barreira intransponível do meu hoje-cérebro-vácuo ? Sim, sim, sim. Estão aqui! Fragmentos de luz e cor começam a dançar dentro de mim. Imagens, Imagens, Imagens!!!! Que sede de compreensão!
Será que algum dia te poderei agradecer por tudo o que já me ensinaste, por tudo o que me fizeste ver deste mundo? Também tens medo da morte? Eu tenho é medo da vida. Eu sei, eu sei. Estes momentos bonitos não deviam ser assim atropelados por uma coisa fora da mãe. Mea Culpa. É só este desejo de querer dizer-te o quanto te sinto.
Um passado e um presente juntam-se entre mim e este céu. As imagens chegaram. Sentaram-se por fim no tapete cord-de-rosa. A calma regressa. O dia vem dizer o seu olá. As estrelinhas foram-se embora prometendo voltar mais logo. Resta-me agora ficar aqui á espera de mais um dia. De mais um sol. De mais um bocado de vida. Com uma música nos ouvidos que nunca senti tão perto.
E olha que qualquer dia ainda nos vamos afogar num grande saco de cogumelos mágicos.
:: A. RITA 4:44 PM [+] ::
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Negra está a minha alma
E negra é a tinta que escorre
Das minhas veias abertas
Envenenadas por este ar onde me perco
Consporcado, que corre diante dos meus olhos
Lateja-me o pensar
De uma culpa que não tenho...
Arde-me o nariz ensaguentado
Deste horror que se espelha...
24-11-02
E doi
E ela continua a gritar
(veludo negro e um passo rasgado sobre o tecido da noite
- Pára de chorar, pshhh pshhhh não grites mais)
:: A. RITA 4:43 PM [+] ::
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Podia dizer que te amo. Mesmo assim, não o faço.
O medo de não te amar, é ainda maior que a felicidade espontânea e que sinto agora, que sinto quando estamos juntos. Ainda assim, posso dizer que te amo. Amo-te agora. E porque agora, não é preciso mais nada.
És um menino querido, tono in que faz tudo para ser tudo para os outros. E és. Não fumas, não bebes e jamais tocarás em droga. Posso estar horas á tua frente a divagar sobre a vida, ou qualquer outro assunto suficientemente merdoso, tu olhas-me nos olhos e dizes que sou linda. Seja o que for que tenha dito. Não é que sejas estúpido, ou burro, simplesmente não interessa.
Nunca serás igual, sequer parecido comigo. Nunca pensaremos nas mesmas coisas nem olharemos o mesmo quadro.
Amo-te por tudo isso e talvez um dia te ame realmente para o resto do mundo.
Mas que interessa? Amo-te agora, embora só para mim.
16-02-03
:: A. RITA 4:42 PM [+] ::
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Quero morrer debaixo da cama, vomitar ou espumar da boca. As mãos a tremer e o cérebro a desejar mais álcool.
19-02-03
:: A. RITA 4:42 PM [+] ::
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Saturday, Jan. 18, 2003 - 1:03 a.m.
Fogo como é bestial a solidão!
Como é lindo estar rodeada de gente e sentir a sua presença, sempre junto, sempre perto, mesmo colada a mim.
Gostavas?
Azarito!
Aqui não há que gostar, não há querer nem meio querer. É e pronto.
Acabou-se o sossego, entra-te pela casa dentro transpondo todos os limites da privacidade. E de repente começas a reparar em todos os pormenores, em tudo o que podias ter agarrado para não se tornar assim. Mas agora é tarde. Já cá está e não vai recuar. Agora olhas apenas o Mundo, sem que nele te envolvas. És como o narrador não participante mas omnisciente de um história que bem podia ser a tua. Por muito que queiras não podes intervir. Ás sombras que vês mal podes esperar para te lhes juntar, mas não podes. Não mereces! O sofrimento é o teu único prémio.
O silêncio implacável em que te encontras permanecerá sempre assim: morrente demais até te estoirar os miolos.
Não és mais que um corpo misturado com tantos outros. Sim, um corpo entre as vidas que por aí circulam. Apenas carne que cobre uma alma moribunda e imunda até ás suas origens.
E como que por acaso começa um processo irreversível de adoração ao passado, a tudo o que era ou podia ter sido, já que o futuro não parece que vá chegar, ficas a flutuar por um passado que só agora podes imaginar, e queres, como perfeito, mas que não foi mais que o passado fodente em que te desgraçaste.
E pedes, oh como desejas, para fechar os olhos e sentir uns míseros segundos de paz, deixar que as lágrimas corram e cubram tudo aquilo em que te transformaste. Apesar de saberes o quanto impossível será, ainda acreditas poder voltar, poder ser de novo. Mas sabes, tu sabes que não é possível.
Queixas-te aos céus, chamas todos os deuses em que jamais acreditaste e juras, gritando, que não compreendes o que aconteceu. Na realidade queres mesmo acreditar nisso.
Esforças-te para que a morte te leve em tentativas frustradas e inúteis pois pensas que só assim poderás ser livre. Mas o que é a morte senão a própria solidão?
Morrer
Há quanto tempo tentaste que isso não te acontecesse?
Não tentaste.
Acreditavas dar tudo pela felicidade, sonhando que esta existisse e te desse um dia o ar da sua graça, não aconteceu. Mas alguma vez quiseste viver? Então porque te espantas agora que percebes que não podes, não consegues fazê-lo?
Agora é tarde. Tentando morrer conseguiste. Desapontado? Não é aquilo porque esperavas?
Azarito
Fizeste por isso mas davas tudo para voltar atrás, para o passado doentio que te comia de dia para dia não é?
Esquece! Não vai acontecer!
Olha para tudo á tua volta, toda a beleza que não consegues agora suportar. Dói. É triste saber que não podes participar dela.
Foste fundo demais para poderes voltar á tona.
É tarde
É tarde
Curte a merda em que te tornaste e martiriza-te com a ideia que jamais conseguirás sorrir. Olha para ela, para essa puta que te enganou. Como o homem dos doces á porta da escola, te seduziu e te fez desejá-la, levando-te por um caminho sem retorno, uma entrada sem saída que não podes agora ultrapassar. Não sabias que era assim?
Olha para a solidão que te fode a cada noite que passa.
11-6-02
23:50
:: A. RITA 4:41 PM [+] ::
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O retrato está pintado para o sempre
O tempo vai passar,
Vai remarcar ou amainar,
Pode sujar ou pintar por cima
Mas nada conseguirá apagar
Repúdio? Amor?
Não se descrevem sentimentos
Tão cruéis e profundos
Tão loucos e insanos
Assim, de ânimo leve.
Por mais água que passe no meu corpo,
Por mais lâminas que rasguem a minha pele
Nada vai lavar a lembraça
Do dia em que um ímpossivel aconteceu
Na tarde em que o alcool levou a dor
Num orgasmo que não chegou
Acabando a vida no chão de um elevador
Embebido no acre de uma bílis que já não sou eu.
Não dói, só me é impossível de explicar
Não houve motivo, apenas aconteceu
:: A. RITA 4:40 PM [+] ::
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Agora sou aqui...
:: A. RITA 4:37 PM [+] ::
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