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Terça-feira, Junho 17, 2008
E depois de ele me beijar,
ela dizia que éramos tão lindos, a frita.
E como eu gosto dela.
Depois ganho noção da minha cara à volta do meu sorriso
e acalmo,
é suster.
Não merecem mais, pessoas.
Este whisky-copo já é só veias minhas.
Oh - seduz-me e sou tua.
Para sempre.
Amor amor.
Postado por: Cereja às 11:09
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Segunda-feira, Junho 02, 2008
Eu já não sei se sei o que é escrever.
Já foi, como veio, e não voltou.
É um vazio muito grande
e uma insistência,
sempre a vir aqui como à espera que esteja algo novo escrito.
Mas não escrevo, como se nunca tivesse escrito.
Como se isto tudo, cá pra trás,
fosse de outro alguém qualquer
tão mais cheio,
tão mais algo.
Mas sou eu,
que fui,
perdi, mas tive.
Fui.
Postado por: Cereja às 19:57
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Sábado, Fevereiro 09, 2008
Sempre bebi em quantidade, violentamente, para perder a noção de mundo, e do mundo. Nunca bebi por paixão, nem por desgosto de amor, não, nunca bebi dramaticamente. E no dia a seguir a ter bebido muito, é como se os sentidos e a memória tivessem sido passados a esfregona e lixívia. (...)
A embriaguez é um momento de vida incendiada, ou suspensa, e a ressaca um tempo de lenta e demorada reconciliação com o mundo, e comigo mesmo.
Mas, um dia, tenho a certeza, não terei forças para me reconciliar com o mundo, nem vontade de regressar de onde estiver. Continuarei a beber ininterruptamente e não haverá mais ressaca nem dor.
Seduz-me a ideia de vir a morar num corpo que já não sente, etílico talvez, transparente, e com uma leveza de cinzas.
Al Berto, in O Anjo Mudo
Postado por: Cereja às 12:03
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Quinta-feira, Janeiro 31, 2008
 Eu de saltos altos como se fosse a primeira vez no parapeito de um prédio.
A torcer os pés como se o medo fosse também ele o primeiro.
A olhar prá vida de trás, de onde é fácil, de onde se desiste. Poder voar para sempre.
A esperar escrever, para ficar, não envelhecer, não fazer nada que não seja inventado. Acordado.
E todos os dias mais uma noite para chorar o que não fiz.
Postado por: Cereja às 17:49
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Segunda-feira, Dezembro 17, 2007
- Devias gostar mais de ti.
- Tu é que devias gostar mais de mim. Mais Mais mais mais mais mais Sempre sempre Respirar tudo de mim Sempre sempre a beijar-me a desejar-me a adorar-me a tocar-me a sufocar-me de prazer Amor amor suor Tudo eu Sempre eu Ate eu vomitar Até vomitar TUDO Sangrar tudo Chorar tudo Amar tudo o que não admito que possam gostar em mim.
Meu amor.
Postado por: Cereja às 21:42
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Segunda-feira, Julho 30, 2007
I don't need no thought control.
You and I will burn this town.
Postado por: Cereja às 11:41
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Segunda-feira, Julho 02, 2007
Alcool, a religião do ser,
e senão dele,
a fé da vida.
Postado por: Cereja às 11:19
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Quinta-feira, Maio 10, 2007
Era velho. Cansado, indiferente.
Quando lhe bateu nem sentiu mais que isto.
Sentiu as rugas que lhe pesavam na testa,
o suor que já era doce de escorrer só por escorrer.
Sentiu a sede e que devia ter snifado mais uma.
A culpa.
A culpa era fria e dava-lhe mais para bater em si do que nela.
Antes disso, voltou-se para a sua idade e para os velhos dela.
Mais um golo e o arrepio,
aquela sede que já nem ela podia acarinhar.
Solidão.
Por isso lhe bateu até doer,
até sangrar,
até deixar de respirar.
Até lhe arrancar a pele por ser a dele que doía.
O vento!
Foi só mais uma janela sem vidro e o desejo de voar.
Livre.
Afinal sentia.
Postado por: Cereja às 10:07
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Sábado, Maio 05, 2007
E se nunca fomos nada?
E se nunca formos nada?
Postado por: Cereja às 10:59
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Quarta-feira, Abril 25, 2007
"Gostar de ti é um poema que não digo"
Postado por: Cereja às 18:28
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Domingo, Abril 22, 2007
E tu estás aí
E és todo meu.
E é tão doce saber que o mundo é todo nosso.
Só no sorriso,
Na solidão deste sol
Cheio de gente que não existe.
Deste chão,
Que é o mundo deles.
Suspira,
Vais ver que te arranco a pele
Do quanto te gosto.
Postado por: Cereja às 20:10
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Sexta-feira, Abril 06, 2007
É assim
Que o balanço no trapézio da vida
Pode ser o mundo todo
E o algodão
Cheio de muros transparentes
Cordas atadas ao corpo
Sangue sem dor
Frio que não vem
Doer que não é
Porque é só amor.
Fica.
É dose de saber que incomoda quem só voa.
Postado por: Cereja às 12:11
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Quarta-feira, Abril 04, 2007
És tu.
Postado por: Cereja às 18:53
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Domingo, Março 11, 2007
Fumo em segunda mão,
a mão dele,
a mão do mundo.
Sei tudo e não vejo nada.
Sinto e não sou.
Sendo.
É o ar que não corre
e é o suor do Verão
que só chega nos nossos corpos um.
Postado por: Cereja às 17:16
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Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
I dream inside your eyes
You fly around me in circles¿
Now you rest on my shoulder to fly again
And since you won't stay
Maybe you'll take me away
'Cause, you know, I can fly but not on my own¿
Yes, you know¿ not on my own¿
Leaves fallin' again
you flyin' away¿
Why won't you take me some day¿?
Coldfinger
Postado por: Cereja às 10:16
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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Talvez por saber falar de cor
imaginei que virar costas, triste adeus,
fosse liberdade minha,
para eu ser.
Se tudo fosse igual a ti,
eu sei lá o que é sentir,
porque sentir tudo
nao é estar bem
é pertencer-te.
O desejo entrego-o o a mim.
É mais fácil entender
que precise de ser eu
e nao tu,
a moldar.
Postado por: Cereja às 12:01
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Quinta-feira, Janeiro 25, 2007
Desilusão eterna.
Ver mundo a desfazer-se em muros,
salgado de lágrimas do que queremos deixar.
è saltar por sentir que todo o joelho é para sangrar.
Sorrir por saber que o sol é só hoje.
Gostar do perfume porque é tudo o que há.
Saber que é mentira e por isso se sente.
Doer por arroz,
o pão do mundo.
Sermos todos sós
porque é saber viver.
Postado por: Cereja às 13:53
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Domingo, Janeiro 14, 2007
Sou de plástico.
Quero morrer.
Quero viver.
Morde-me entre os teus lábios até
os romperes.
Sangra até me limpares,
até te limpares.
Prende-me no tecto a rodar para ti,
a pingar a dançar a sonhar a chorar.
Evade-te.
Sou a loucura!
Soa a loucura.
Sente, menino azul, e vais ver
que te sufoco de tanto explodir.
Sei-te mais que a mim,
que te vejo no escuro.
A mim sonho-me,
deserta completa viva morta.
Abraça!
Toda a saliva que te percorre
o corpo de amor
Sou eu.
Postado por: Cereja às 09:22
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Terça-feira, Dezembro 05, 2006
Em devaneios vos guio ao que julgo ter,
lembro o vazio frio, espero que o toquem.
Fujo, sem saber sentir, sem saber gostar.
Quero,
que aí estejam sempre,
porque eu nunca deixarei de esperar
ter-vos.
É bom saber que as pessoas existem,
é bom existir para alguém,
mas realmente.
Ser.
Gosto-vos tanto!
Postado por: Cereja às 10:11
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Eu gostava
que gostarmos um do outro fosse sempre bom,
tão doce como agora.
Que nos fizesse sempre bem.
Longe mas tão perto.
Postado por: Cereja às 10:09
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Domingo, Novembro 05, 2006
A cada passo do relógio nos afastamos
cínicos e distantes
a tentar manipular entradas e desvios.
Eu quero agarrar-te ao que te dei,
e que penses sempre em mim, meu amor,
que nunca chores
e não me deixes ir.
28-05-06
Postado por: Cereja às 19:59
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Queria mas não vou escrever-te.
Não sei escrever de felicidade nem de amor
por isso não vale a pena escrever-te.
Hoje a noite é quente porque estás muito aqui.
O teu "adoro-te" percorre-me baixinho no sono.
"shhh", não te digo, beijo-te.
Faço-te sempre fechar os olhos
quando tenho medo que me vejas,
que me saibas.
Que me oiças antes de falar como sempre fazes.
E beijo-te.
Beijo-te sempre
porque perder-me absolutamente
é o que me enche de amor por todos os espaços que me és.
Sorri.
Porque o mundo és tu que mo dás
quando me fazes senti-lo de olhos fechados.
Não. Não te escrevo.
6-1-06
Postado por: Cereja às 19:57
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Segunda-feira, Outubro 30, 2006
Oh my baby, don't cry
Oh my babe, just say goodbye
Oh now baby, don't cry
Oh my babe, at least we tried
At least we tried to make it
But in these days I'm so confused
Oh my love, at least we had it
Let me hold on to you
Oh my baby, don't cry
Oh my babe, just say goodbye
Oh now baby, don't cry
Oh my babe, at least we tried
At least we tried but we lost it
I will remember
How you stood there and you smilling
And you smile there with me
Oh my baby, don't cry
Oh my babe, just say goodbye
Oh now baby, don't cry
Oh my babe, at least we tried
Oh my baby, don't cry
Oh my babe, just say goodbye, say goodbye
Oh now baby, don't cry
Oh my babe, at least we tried
Oh my baby, don't cry
Oh my babe, just say goodbye
Goodbye my baby, don't cry
Oh my babe, at least we tried.
Moby - At least we tried
Postado por: Cereja às 11:07
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Quinta-feira, Outubro 26, 2006
- É o fim não é?
- Sim mas só de nós.
Postado por: Cereja às 11:41
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Quinta-feira, Outubro 19, 2006
Now always here inside: Martha, Tom Waits
Postado por: Cereja às 23:33
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Também o sol queima, também doi, mata um bocadinho todos os dias com o contacto diário. E no entanto, não há dia que o troquemos por chuva, por cinzento ou por vazio. É irresistível olhar, querer o calor, sempre senti-lo. Em espaços fechado basta saber que ele lá está e vive-se a vida mesmo à sombra. E depois há a lua... mas essa... serve só para dormir sobre o sol,
sonhá-lo.
Postado por: Cereja às 23:32
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Terça-feira, Outubro 10, 2006
Hotel
Uma cama, uma janela, uma garrafa de vodka. E nós. Nós a fingir que queremos fugir das nossas vidas, que precisamos de. Nós a fingir ser grandes porque nos sentimos pequenos. A querer ser pequenos porque já nos vemos grandes de mais e doi ver. A fuga fez-se de papéis, de bocados deles, de noites com estrelas até de manhã, de bicicletas e de amor. Do amor que queríamos sentir, que queríamos ter, que queríamos poder. E que nunca pudemos por estarmos sozinhos. Sempre sozinhos um com o outro, a lembrar o quente, o cheiro, a carne e os corpos que um dia partilhámos ao apagar da luz. Fomos tudo e agora nada.
Agora partilhamos sonhos em que não acreditamos, beijos que não sentimos, poesia que quisemos fazer.
Somos só isso e por isso brindamos.
Vamos ficar sentados no parapeito com copos e figos verdes e eu sei que vai ser uma noite tão boa como outra qualquer.
Cereja em Ensaio
Postado por: Cereja às 18:08
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Quarta-feira, Setembro 27, 2006
E se fosse possível um recomeço tornar-se começo?
Como se sem passado nos voltássemos a ter.
Tão naturalmente nos sorriríamos como da primeira vez.
Não há pressa para o sempre, bem sei,
mas isto é só um desejar poder estar contigo outra vez.
Acreditar,
não acredito.
Quero muito.
Postado por: Cereja às 14:03
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Ao ver meu quarto aberto alguém entrou
Só no acender da luz vê que eu não estou
eu jurei: quando eu voltar
ninguém mais vai entrar
para sempre eu vou esperar por ti
Pára de olhar para mim
deixa-me ser alguém
tão cedo não vais ver ninguém
Ao ver meu quarto alguém pensou
foi para mim que alguém assim o deixou
Para quê mentir se eu bem sei que não há ninguém igual
Para sempre eu vou esperar por ti
Pára de olhar para mim
deixa-me ser alguém
tão cedo não vais ver ninguém
Guardar cá dentro amor não nos faz nada bem
quando cá fora o ódio quer entrar
fui morar prá paixão
pois eu sei que não há melhor lugar
Ornatos Violeta
Postado por: Cereja às 14:00
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Quinta-feira, Setembro 21, 2006
Vai para que eu possa ficar ainda.
Como jurei ser, como julgo ser.
Ficar com alguma coisa de meu
ainda que não seja tu.
Se me levares o cheiro da pele
não sei que parte te posso cobrar que fique
e que parte leves por ser teu.
Não sei quantas lembranças te mande
ou quantas preciso para ser.
Mas vai vai vai.
Em desespero te peço para dormir sem ti uma noite.
Postado por: Cereja às 13:52
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Terça-feira, Setembro 19, 2006
Vai-te embora.
Postado por: Cereja às 10:54
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Sábado, Agosto 26, 2006
"Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"
Postado por: Cereja às 10:07
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Domingo, Agosto 06, 2006
Algo Teu
É a saudade a bater-nos à porta
E a mim importa-me que estejas a meu lado
enquanto o medo vai dançando à nossa volta.
É só uma imagem que sonhámos,
doce imagem,
Nada que um dia após o outro reproduza
mas meu amor estaremos sempre de passagem.
Esquece o que eles dizem sobre um grande amor
quem podia mais querer-te como eu?
Nada que acredite possa vir mostrar
pois é algo teu.
Pluto
Postado por: Cereja às 09:47
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Terça-feira, Julho 18, 2006
Um assobio pelas florestas que somos
sem sabermos se as queremos ver
a queimar, queimar...
Ficar.
Escorrem assim os vivos
por cima dos vidros dos mortos
sempre a tentar tapar um espelho.
Postado por: Cereja às 13:19
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Querido diário,
conta-me todos os segredos que te pedi para guardares.
Dá-me o que fui, o que quis ser.
Diz-me que escrevia - se ecrevi.
Dá-me qualquer coisa para meter cá dentro agora.
Assim, sei que não me engano e que pelo menos um dia fui.
1-7-06
Postado por: Cereja às 13:16
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Domingo, Maio 28, 2006
Criamos
e derretemos o mundo
a cada minuto,
sempre à espera de acordar na mesma areia.
Postado por: Cereja às 23:10
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Domingo, Maio 07, 2006
recado
ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde niguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço
Al Berto
Postado por: Cereja às 15:30
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Segunda-feira, Abril 03, 2006
"In a haze, a stormy haze,
I'll be around,
I'll be loving you always,
Always"
Postado por: Cereja às 20:57
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"Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca sangras quando sofres
Guardas a dor dentro do cofre
Se alguém decifra o segredo
E se pica no teu ferrão azedo
Tu lambes-lhe o sangue do dedo
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente "
Eu, não tu.
"I know I'm dead on the surface
But I'm screaming underneath
my star is fading."
Postado por: Cereja às 20:45
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Sábado, Março 25, 2006
- Ainda aí estás?
- Mas vens sozinha?
- Completamente.
- Quando não houver futuro és minha.
- Oh, até tu já te esqueceste disso. Quis dizer-te, quase facilmente, que já não há futuro, por isso talvez fujamos um dia destes.
- Perdoas-me se amanhã já não gostar de ti?
- O amanhã não existe.
Postado por: Cereja às 21:05
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Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006
"o universo murmura sob a chuva, meu Deus, que doce e suave tristeza, e que não nos falte nunca, nem mesmo nas horas de alegria."
José Saramago,História do Cerco de Lisboa
Postado por: Cereja às 17:16
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Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
"Um menino envenenado"
Postado por: Cereja às 23:56
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Terça-feira, Janeiro 10, 2006
Haverá maior liberdade que viver em casa de loucos?
Um piano, alcool e cigarros sem parar.
Lamber a parede e niguém que possa ou queira censurar.
No chão. No chão e em qualquer lugar porque ninguém nunca vê.
Ninguém nunca quer saber.
Só que aí niguém finge.
Postado por: Cereja às 00:25
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Só hoje o amor não me fez fugir
não me fez pressão
não me fez doer
não quis morrer.
Postado por: Cereja às 00:23
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Domingo, Janeiro 01, 2006
Recomeço
Viva o que se esquece e não vive para além da noite.
Viva o que fica para sempre depois desta noite.
Viva às pessoas, a vós que me dão sorrisos
A mim que me sei dobrar
Ao mundo que muda sempre
A cada ano,
um novo começo.
Postado por: Cereja às 04:56
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Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
Eu a convencer-te que gostas de mim,
Tu a convenceres-te que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na côr que trazias.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.
Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.
Toranja
Postado por: Cereja às 23:25
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Broken Soul
Tudo desaparece e mesmo assim tu ficas.Ficas e não nos abraçamos porque nós já não somos, dizes tu, porque não podemos ser e a noite é sempre fria hoje. Nunca vais estar sozinha comigo e agora não me dás nada de ti porque tinha demais, achaste. E tu o que me tens!
Postado por: Cereja às 23:07
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If you're my dark
I'll learn to see like the moon you gave me once
Postado por: Cereja às 01:56
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Domingo, Dezembro 25, 2005
Às vezes atormenta-me a certeza de nao ir morrer de amor.
O transbordar de sede sempre tão longe.
A asfixia do tempo
a fugir sem que me sintas.
E o medo.
De não chegar a tempo de ainda te ter aqui.
Postado por: Cereja às 23:46
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Quinta-feira, Dezembro 22, 2005
Se eu fosse um dia
Se eu fosse seria feliz
e seria o tu de açúcar.
Gosto tanto de chocolate
que podia ser uma pessoa doce.
Sei. Quero tanto escrever-te que me prende o mel.
Tudo é tão doce em ti.
Fica. Fica.
Vamos ouvir Pink Floyd até estares aqui.
Postado por: Cereja às 01:33
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Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
Agora, onde tudo é pesado só o tempo nos tem.
Sei a noite e não me sinto.
Saudade ao orvalho e frio de manhã
quando estás sempre quente
e eu sempre a ver-te dormir.
Sempre nesse momento onde somos tudo.
E o teu sorriso.
O teu sorriso sempre em mim a fazer-me quente
no frio que hoje está.
Postado por: Cereja às 19:06
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Quinta-feira, Dezembro 08, 2005
Hoje não vou voltar a ligar para dizer que te adoro e que prefiro engolir-me e esquecer o mundo do que estar sem ti. Não te vou mostrar-me sem ter medo de estar nua. Não vou esperar que o sol venha e te entre e te encha e te preencha tudo o que tu sentes que eu não te posso dar. Não vou voltar a chorar e a sentir e a ter medo que me perca no nada um dia que não me abraces. Não vou voltar a deixar-me de olhos fechados na segurança de que estás do outro lado a gostar de mim. Não vou sonhar. Não te vou deixar a certeza do quanto gosto de ti. E marcar e vincar e provar e mostrar e apertar e comprovar e confirmar e evidenciar. Hoje não.
Porque sinto.
Postado por: Cereja às 22:20
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Segunda-feira, Novembro 28, 2005
Laughter in the dark
Como as gotas de chuva ao sol
antes do arco-íris.
De olhos fechados.
Só sentir. Sentir.
E saber-te aqui.
Tão.
Postado por: Cereja às 23:27
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Quinta-feira, Outubro 06, 2005
"Foram os os meus últimos alunos, desde aí so tenho encontrado paredes" C.Abrunhosa
Postado por: Cereja às 17:09
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Terça-feira, Outubro 04, 2005
So alone
O peso de não estar sóbria faz esquecer o que se quer pensar para dizer sem parecer.
Só ser.
E quase, quase se sente.
O copo transborda e o corpo já não pode.
Nunca pôde e sempre cede.
A alma nunca deixa partir e fica sempre o mal por cima do que se desejou.
Se sei o que sonho é porque nunca sinto estar acordada.
Postado por: Cereja às 18:21
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Olho para nós a percorrer a minha mão e sei-me sozinha.
Sei-te aqui e não te sinto,
Não que não estejas comigo,
Eu é que nunca estou em lado nenhum.
Nunca consegui ver-me nos teus olhos,
Talvez nem tenha tentado olhá-los.
Olha para o meu céu: já está coberto só porque um dia teve vento.
29-04-05
Postado por: Cereja às 18:20
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Vi-te, falei-te e não senti nada.
Estavas simpático. Muito simpático.
E fiquei o resto da noite a pensar porque é que não senti nada.
Quis mostrar-te o presente mas também não sei se queria que o visses.
Não queria que pensasses que fiquei presa ao passado, nem que foste apenas um passado insignificante.
Então, deixei-me ficar e pedi-te um cigarro para ver se fumavas.
Passaram-me logo comparações passado/presente pela cabeça e só me apeteceu estar sozinha.
Depois de tudo, continuo a recordar os nossos meses como os mais felizes.
31-01-05
Postado por: Cereja às 18:20
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Seasons may change
Houve dias em que voltaste e nem por isso esteve mais quente.
Mas hoje¿ hoje é diferente.
Hoje sei que não estás, não vais, e vai nevar.
O café vai arrefecer à tua espera e eu vou-me esquecer que ele lá está porque já não espero por ti.
Queria dizer que não te sinto, mas não posso.
Sinto-te porque me faltas.
Seasons may change, mas nem tudo existe quando vier a Primavera.
11-11-04
Postado por: Cereja às 18:20
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Segunda-feira, Setembro 12, 2005
"E não pintamos, não escrevemos ou fotografamos para nos salvar, ou então é só por isso que o fazemos. De qualquer maneira, sabemos que se não o fizermos estamos mais rapidamente perdidos, e é tudo..." Lunário, Al Berto
Postado por: Cereja às 14:07
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Quarta-feira, Agosto 31, 2005
And the ground beneath her feet
E eu.
Câmara lenta
em luz que vai caindo
caindo......................................
...............caindo
..........................................................
ca................................
.......................................in
................do
ooooooooooooooooooooooooooo......
Já só os pés no parapeito.
06-08-05
Postado por: Cereja às 14:25
Comentários:
Segunda-feira, Julho 11, 2005
Don't you shiver
Postado por: Cereja às 13:25
Comentários:
"So if you ever feel neglected
If you think that all is lost
I've been counting up my deamons
Hoping everything's not lost"
Postado por: Cereja às 13:02
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Domingo, Maio 22, 2005
A noite é o espelho do que sou.
E se hoje me sinto lua
é por me teres feito brilhar.
16-05-05
Postado por: Cereja às 23:50
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Terça-feira, Maio 10, 2005
Infelizmente já não fomos a tempo
de agarrar os nossos sonhos e guardá-los
para depois sermos felizes
quando houvesse espaço.
Afinal, destruimo-nos antes.
Postado por: Cereja às 13:43
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Segunda-feira, Abril 18, 2005
Perco-me pelo caminho,
pergunto a quem sabe: onde estou?
resposta vazia,
só o eco voltou.
Invento-me em curvas certas, mas sem saber porque o sou
tento escrever direito em noites de luas do antes
mas já não vejo o que não há.
Gente quente em noites frias.
Pó de sonhos, sei-me só.
Pó nunca levado pelo vento.
Pó do que fica,
por ter que ir ficando.
Pó que não sente,
por ser só pó.
Postado por: Cereja às 19:05
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Sexta-feira, Abril 15, 2005
"Porquê fazer o que nos é não?"
Postado por: Cereja às 13:59
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Quinta-feira, Março 24, 2005
A cada noite tudo se vai afastando,
o sentido, apesar das coisas, em si, ficarem.
A cada momento um pouco mais longe
do que um dia foi tudo.
Hoje é
um abraço sem espaço para ser,
um beijo sem quente,
um carinho de vento,
um amor que não é.
A cada noite,
um beijo mais frio.
Postado por: Cereja às 23:41
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Segunda-feira, Março 14, 2005
Vozes sem eco
O desalento pega-se aos sapatos
e não deixa sair do lugar.
No sítio onde niguém ouve, ninguém sente,
a gente apenas se torna prolongamento de parede,
quase de vidro,
quase penetrável e tão transparente que não agarra.
Nunca volta para trás.
Não há eco de mim.
28-02-05 (Acerca de ...)
Postado por: Cereja às 00:00
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Domingo, Fevereiro 20, 2005
Hoje apetece-me amar-te.
Verdadeiramente.
E que me ames,
quando somos só um num outro.
Quero que estejas,
porque te sinto,
sempre comigo.
Cheiro-te e sonho-te,
sou.
E apesar de ter medo,
deixo-me.
Deixo-me-te.
Abraças-me?
Adoro-te.
Adoro ter-te e saber-te tu,
sempre assim,
sempre um beijo quente antes de dormir.
Sonho-nos.
Postado por: Cereja às 00:41
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Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
Pessoas que falam e gritam
com outras pessoas que escutam
e morrem pla chuva lá fora
que parece mais quente
do que o dentro do nada.
E a noite...
Oh...
posso esperar que ela não vai a lado nenhum.
28-10-04
Postado por: Cereja às 21:12
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Sente-se que não sabes
de que se faz o partir.
Talvez não queiras saber
plo que te fazem sentir.
Fazes-te quente e forte
como uma chávena de chá,
mas n cheira s a mel,
cheiras ao que o mundo quer,
sem fumo.
Um quentinho cantinho
onde se pode perder quase tudo,
e ainda assim,
um amigo.
9-01-05
Postado por: Cereja às 21:07
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Estou cansada de esperar a falta de razão
e vou adormecendo por entre bonitas claves de sol
que me dizem que o mundo é bonito qd há alguém (...X...)
a viver nele...
2-11-04
Postado por: Cereja às 21:03
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Sábado, Janeiro 22, 2005
Já viste como são efémeros os Sempre?
Contigo,
todos os Sempre são bons
e tudo o que passa, fica.
Postado por: Cereja às 16:39
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Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
In darkness you are all I see
Postado por: Cereja às 18:28
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Terça-feira, Janeiro 11, 2005
No Stars
Hoje,
é daquelas noites
em que não há estrelas,
há só o que não consigo ver.
Porque está frio
aqui.
Sei-me longe,
incontornavelmente.
Hoje
é daquelas noites em que não se dorme mais
nem menos.
Merda de vazio.
Postado por: Cereja às 20:51
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Domingo, Janeiro 09, 2005
Uma canção minha só por ter sido nossa.
Mais tu que eu.
Quando era quase tudo tão fácil,
até o amor. O único.
Agora, não existimos.
Como quase tudo.
Postado por: Cereja às 10:00
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O tempo que se perde a fugir da vida
Como se os verdadeiros vazios fossem de verdade
e um bom objectivo
É sempre tarde.
O arrependimento e a falta daquilo que nunca sabemos o que é
Comem o bonito e param a dança da noite.
Pelo menos até à seguinte.
Tchin tchin. Bom ano.
1-1-05
Postado por: Cereja às 10:00
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Terça-feira, Dezembro 21, 2004
Se a vida se entorna,
não é por acordar que se consegue voltar.
Se já ao sonhar a corda se esgota,
é porque não importa,
não se sente chorar.
Postado por: Cereja às 20:21
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Quinta-feira, Dezembro 09, 2004
Não consigo dormir sem sonhar que se morre.
Alguém morre sempre.
E eu, artificial, nem sempre choro.
Postado por: Cereja às 20:24
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Domingo, Novembro 21, 2004
As horas passam
Como se estivessem a arrancar-me do chão.
Os relógios aceleram o não-sentido
e não me deixam fechar os olhos nesse vermelho.
Planar,
Acima de mim.
Já sem horas pela frente.
Não ter que as encher.
Postado por: Cereja às 10:52
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Quinta-feira, Novembro 11, 2004
"Hoje a Razão perdeu-se do outro lado do arco-íris"
Mentira,
hoje, o que se perdeu
foi a beleza de ter sido um dia.
Postado por: Cereja às 21:09
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Domingo, Outubro 31, 2004
Nox
Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia
E inúteis tantos ásperos tormentos...
Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece, alguns momentos...
Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o mundo, te esquecesses,
E ele, o mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!
Antero de Quental
(Era para ser postado dia 29-10-04)
Postado por: Cereja às 11:19
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Terça-feira, Outubro 19, 2004
Olha, um dia podia ter-te dito isto...
De noite, no Seixal ao pé do rio, num carro de onde se vêem muitos outros, mas de vidros embaciados:
-Your lips move but I can't hear what you say... I've become comfortably numb.
-It's all in your head
-And so is everything...
-...
-In my dreams I'm dying all the time... I never meant to hurt you, I never meant to lie... So this is goodbye. This is goodbye.
Depois,
desaparecia na noite e não precisava de te ver mais.
Mas não.
Deixei que me beijasses e chorei em silêncio.
Depois,
desapareceste na noite e não precisaste de me ver mais.
(Isto, claro, com uma ajudinha de Pink Floyd, Fiona Apple e Moby)
Postado por: Cereja às 22:17
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Quinta-feira, Outubro 14, 2004
She's waiting for just too long
The world wouldn't care enough
Just wake her
Wake her...
- Well, guess she's not asleep, she's just bleeding calmly...
Postado por: Cereja às 21:59
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Sábado, Setembro 18, 2004
Poemas que não sei fazer são letras do pensamento que me acordam por não dormir.
Iluminado é aquele que vê e que sente sem se deixar abalar.
O que absorve o futuro e o grita para mostrar que não tem medo do mundo.
Mas está vermelho.
Corado de uma ansiedade infantil monopolizada pela espacialidade.
Postado por: Cereja às 11:11
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Terça-feira, Setembro 07, 2004
"Never knew I could feel like this
Like I've never seen the sky before
I want to vanish inside your kiss"
Em certos tempos idos...
I was a fool to believe...
A fool to believe.
Postado por: Cereja às 15:07
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Segunda-feira, Setembro 06, 2004
Leve Beijo Triste
Andei pelas formas da noite.
Sorri e gritei por dentro e por fora enquanto dançávamos escondidos na multidão.
Fomos ficando tão perto apesar de tão separados pelos nossos corações tristes que, quando senti os teus lábios, não tremi pela surpresa, mas pela certeza de não podermos ser mais que um leve beijo triste.
Sei que fomos nós mas eu já não tenho lua e continuo a escrever na memória das mãos.
Postado por: Cereja às 22:05
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Domingo, Setembro 05, 2004
Estático
Tudo parou quando as enormes bolas de fogo colorido começaram a cair sobre nós.
O lago encolheu e tudo cá em baixo ficou tão minúsculo...
Podia sentir-te a meu lado, morto e sem quereres abraçar-me.
Agora já todos gritavam e saltavam enquanto tu continuavas morto para o mundo, e eu... bem, eu só queria que visses com os meus olhos tudo o que acontecia e que pusesses uma das tuas mãos nas minhas para sentir que estavas comigo ainda.
Mas não estás.
Estás morto e eu, por baixo deste céu que dói de tão bonito, quero morrer contigo e ficar dentro das tuas mãos.
Postado por: Cereja às 14:40
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É tão cheio de coisas este vazio que me deixaste.
O que é que eu faço com ele?
4-9-04
Postado por: Cereja às 14:39
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Por nós
Não quero deixar que o tempo passe.
Não quero que fiques a ser apenas uma caixinha de recordações para arrumar ao pé das outras.
Não posso pensar-te no passado e por isso não vejo porque partes.
Não nos quero largar apesar de já nem existirmos.
Por nós, quero voltar a sonhar nuvens doces.
Postado por: Cereja às 14:38
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Quinta-feira, Agosto 26, 2004
Por Fora Tudo Faz Sentido
Que queres que te digas mais, se por fora tudo faz sentido, tudo faz sempre sentido?
Não posso, por isso não me digas, não me forces a acreditar-te mais uma vez, ainda que a derradeira, ainda que apenas só eu possa agora fazer-te existir para mim, comigo.
Se tivemos pressa, se não pensámos no tempo, não foi por carência, não acredito que fosse apenas falta de amor.
Quando amanhã acordares e já não me achares a teu lado, vais pensar que foi mentira, que aquilo que te fez sorrir, abraçar-me, fechar os olhos e sentir que o tempo tinha que parar, não existiu.
A única coisa real são as rosas de papel.
Agora já sabes como me vou sentir quando amanhã acordares sem pensar em mim.
Postado por: Cereja às 00:11
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Domingo, Agosto 22, 2004
PUM PRLUM PUM PUMMMM
Faz um barulhão tropeçar numa nuvem e cair de boca lá de cima........
Postado por: Cereja às 00:31
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Quarta-feira, Agosto 18, 2004
Sonho com um piano no escuro.
Tu estás comigo e dançamos sem pressa, de olhos fechados.
Sente-se a lua e o calor começa a escorrer por nós.
Abro os olhos, não te vejo.
O piano continua a tocar e à minha frente uma cara reconfortante que me diz que sou uma boa pessoa.
Tenho saudades tuas.
De ti quando estás realmente comigo.
1-8-04
Postado por: Cereja às 02:02
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Domingo, Julho 04, 2004
Fomos, sem dúvida, algo que não vou esquecer, nem a ti, nem a nós, nem à promessa de irmos ao fim do mundo.
E no entanto, talvez nem tenhamos chegado a ser.
Não vou apagar nada teu, nem isto, nem o que tenho de ti, porque já não me posso esquecer de ti.
Não vou dizer que estou chocada ou surpreendida porque é quase ¿fácil¿ adivinhar-se que seria assim.
Apesar de triste e inadmissível.
Mas não quero.
E tanto faz, porque não vai mudar nada.
Do alto do meu egoísmo quero que fiques, que esperes por mim ou pelo fim do mundo ou por alguma coisa que ainda te possa vir a valer.
Espera só até aí é o que me apetece dizer-te.
E é tão estúpido quanto inútil.
Sei que talvez já não vivesses e que prolongar isso seria.......
Mas quero-te cá prender pelas noites de castelos no ar e Jesus na sopa e doenças mentais e charros junto ao rio e fins de mundo hipotéticos e canções prá loirita e gelados azuis a escorrer e tu e eu a imaginarmo-nos sempre, sem saber onde e como.
Não, já não te posso esquecer, porque foi muito além disso.
Ainda tenho o teu livro.
Não vás já.
Não vás sequer.
Não quero que te despeças porque nem quero que partas.
E tudo isto é tão inútil.
Como tudo.
Como nós.
Não sei se sabes que te via, e te vejo, como alguém, o alguém, que estaria à minha espera do outro lado.
Não estou a falar de lados transcendentais de demónios e céus.
Quando decidisse morrer para o mundo por já estar morta por dentro, eu sabia que iria ter contigo.
Não sei como nem onde, mas tinha a certeza disso e de estares lá.
Agora dizes já não estar e isso quer dizer que já não posso fugir da minha vida.
Mas tu não eras, não és, só isso.
Eras o que eu queria escrever.
És o que eu penso e sinto em ponto grande.
Onde quer que vás, e ainda que não vás, vais continuar a chamar-me e eu hei-de querer fugir e saber que estás à minha espera.
E estás, onde for.
Deixo-te isto aqui porque não sei onde mais to deixar.
Espero que o leias.
Não nos vou dar publicidade e o que foi para mostrar escolheste-o tu.
Espero que fiques.
*g*
Postado por: Cereja às 12:32
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É feio dizer-se o que se é.
É feio achar que afinal há saída ou que posso ser eu, sem rodeios e floreados.
É mau.
É mau saber que te mostrei o meu avesso e que, para além de não fugires, ainda o percorreste minuciosamente, para mais tarde mo lembrares, sublinhares e lamentares o tempo perdido, as velas apagadas e todas as nuvens que contámos.
Porque afinal, eu sou apenas mais uma máscara deambulante que corre a vida encostada às paredes para não se ver o outro lado.
Fruto mau do mundo feio.
¿o homem começa a sentir o apelo incontrolavel da morte no dia em que deixa de representar¿
Tu ainda estás vivo, graciosamente a sorrir para mim do alto da tua auréola de bondade.
30-06-04
Postado por: Cereja às 11:24
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Acho mãos uma coisa importante.
E gosto das tuas. São bonitas e seguras.
Nunca transpiram o que as torna mais fortes-
Fazes-me sorrir e acreditar poder voltar a ter força para te segurar nas minhas mãos. Para conseguir escrever-te nas minhas linhas que quero cada vez mais fortes para te abraçar até te sentir em mim.
Para te sussurrar ao ouvido:
-Quero encontrar-te outra vez no caminho...
Não és uma tábua de salvação que me vai traçar um caminho, és apenas algo que me vai fazendo querer caminhar.
25-06-04
Postado por: Cereja às 11:24
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Terça-feira, Junho 22, 2004
Living in a Lie
Desculpa se te usei como refúgio dos meus sentidos
Amo a tranquilidade que me fazes sentir.
Posso cortar a minha vida em bocadinhos e, embora não possa deitar tudo para o lixo, posso guardá-los numa folha qualquer e esperar que o tempo, ou seja o que for, apague as linhas, as letras e amareleça o papel de modo a só se notarem os sublinhados, os acentos e maiúsculas do que fui.
Antes disso tudo, apareces tu e acalmas-me no teu abraço.
Postado por: Cereja às 23:40
Comentários:
Olhei para ti de uma maneira que há muito não olhava.
Olhei, e vi a figura fraca que sempre foste.
Senti a debilidade no teu gesto que nunca conseguiste esconder.
A incerteza e a insegurança que nunca saem dos teus olhos, estavam pousadas em mim.
Uma ternura quase pena escorregava de mim para abraçar a tua aura triste e só.
Estanquei-a, assim que te vi virar a cara numa forçada indiferença.
- xau
Foi tudo o que te dei a partir daí.
21-06-04
Postado por: Cereja às 23:40
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Cutting my life into pieces
Arranhas-me os sentidos, o coração e a razão.
Dóis-me por existires tão perto.
Tão em mim.
16-06-04
Postado por: Cereja às 23:39
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Quinta-feira, Junho 10, 2004
Cansados recuperamos no sono, da euforia gritante e caótica que nos dominou todo o ser, todo o dia, e que agora desfalece apesar do zumbido nos ouvidos não querer deixar adormecer.
Música, luzes, sons, cheiros, tudo enformado num pó cinzento que nos cobriu por dentro e por fora e que nos fez ter medo de ficar colados aos lençóis
Ao olhar para tudo só posso sorrir.
Lamentar, como sempre, que o tempo tenha mesmo que deixar tudo passar e que o corpo não viaje ao mesmo ritmo que o cérebro.
Que desista antes dele.
Respiramos, comemos, somos pó!
Saltamos, corremos e dançamos desengonçados coreografias étnicas.
Conhecem-se rostos e a outros dizem-se NÃO! Só um pequenino...
Rebolo-me pelo chão que devia ter sido relva e voo por ideias rápidas, sobrepostas e alucinadas.
É de se comer, de se ouvir, de se sentir e de nunca se esquecer.
Não deixar apagar-se.
31-05-04 (Depois do R.in R)
Postado por: Cereja às 00:49
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De sempre que não me sei, aqui é o que fica
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